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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte
Campus Natal-Central

Disciplina: Fundamentos da educação

Prof.a DR.a Viviane Souza De Oliveira

ALUNO: Rafael Bruno da Silva


Dermeval Saviani — Biografia

Dermeval Saviani nasceu em 25 de dezembro de 1943, na cidade de Santo Antônio da Posse, interior de São Paulo. É um dos principais filósofos e historiadores da educação brasileira, reconhecido por sua profunda reflexão sobre o papel social da escola e da pedagogia.

Formação e trajetória acadêmica

Graduou-se em Filosofia pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
Tornou-se professor titular da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde fundou o Grupo HISTEDBR (História, Sociedade e Educação no Brasil), referência nacional em pesquisas sobre a história da educação.
Lecionou e orientou dezenas de pesquisadores, formando uma geração de estudiosos da pedagogia histórico-crítica.

Contribuições teóricas

Saviani é o criador da Pedagogia Histórico-Crítica, uma teoria educacional que busca compreender a educação a partir das relações entre escola, sociedade e trabalho. Essa proposta defende que a escola deve garantir o acesso ao conhecimento científico, artístico e filosófico, promovendo a emancipação intelectual e social dos alunos.

Entre suas principais obras estão:

Escola e Democracia (1983);
Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações (1991);
História das Ideias Pedagógicas no Brasil (2007).
Ideias centrais
A educação não é neutra: ela reflete e pode transformar as relações sociais.
A escola deve ser democrática, crítica e comprometida com a igualdade.
O professor é um intelectual transformador, não apenas um transmissor de conteúdos.

Reconhecimento


Saviani é considerado um dos maiores teóricos da educação na América Latina, tendo recebido diversos prêmios e homenagens. Sua obra influencia políticas educacionais, pesquisas acadêmicas e formações docentes até hoje.

Resumo — Capítulo VI (1827–1932) — História das ideias pedagógicas no Brasil

A educação brasileira e as influências do liberalismo e do positivismo (1827–1932)(Dermeval Saviani)

Contextualizando

História do Brasil e principais eventos da época


O Brasil vivia sob o Império, com D. Pedro I (até 1831) e depois D. Pedro II (1840–1889).
A Lei de 1827 criou as primeiras escolas de primeiras letras, marco da educação pública brasileira — mas ainda restrita e elitista.
A economia era agrária e exportadora, baseada no café, no açúcar e no trabalho escravo.
A elite rural controlava o poder político e a educação era voltada à formação de uma burguesia ilustrada, inspirada no ecletismo europeu e em modelos liberais.
As ideias liberais e positivistas começam a ganhar espaço entre intelectuais e militares, que defendiam a modernização do Estado e da educação.


1827 – Aprovação da Lei das Escolas de Primeiras Letras no Brasil → marco da educação primária pública.
1854 – Reforma Couto Ferraz (Decreto 1331-A) → tentativa de organizar o ensino público no Império.
1879 – Reforma Leôncio de Carvalho (Decreto 7247) → expansão do ensino e mudanças no currículo.
1889 – Proclamação da República → novo regime político e maior centralização da educação com inspiração positivista.
1890s – Adoção crescente de ideias positivistas na formação de profissionais, normal schools, e no ideal do ensino para todos.
1932 – Publicação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova → marco de transição para a pedagogia nova, encerrando o ciclo 1827-1932.

Visão de Saviani sobre a época

No capítulo VI, Saviani analisa a consolidação de uma tradição pedagógica laica no Brasil — distinta da pedagogia jesuítica e religiosa que predominou nos séculos anteriores — e identifica três correntes ideológicas que moldaram a educação brasileira entre 1827 e 1932: ecletismo, liberalismo e positivismo. Esse período é marcado pela emergência do Estado-nacional (Independência e transição para a República), pela influência de correntes filosóficas e pedagógicas europeias e por sucessivas reformas legais que visavam organizar o ensino primário e secundário no país.

Ecletismo (primeiras formulações e institucionalização)

O ecletismo — corrente filosófica e pedagógica que busca conciliar e selecionar o “melhor” de várias tradições — aparece como dominante no início do período. Saviani destaca a influência de pensadores como Silvestre Pinheiro Ferreira e a recepção de autores europeus (por exemplo, a tradição ecletizante francesa) como explicação para a difusão de propostas pedagógicas “moderadas” e conciliatórias. O ecletismo orientou práticas e textos oficiais, promovendo currículos pragmáticos e a ideia de adaptação do ensino às necessidades nacionais.

Liberalismo: finalidade cívica e reformas iniciais

As ideias liberais influenciaram fortemente os projetos educacionais do século XIX ao associarem a instrução primária à formação de cidadãos e ao progresso econômico. No campo prático, esse momento inclui a Lei de 1827 (sobre escolas de primeiras letras) e reformas posteriores que procuraram institucionalizar o ensino público — ainda que com uma forte precariedade estrutural (docência mal preparada, ausência de currículo coeso). As propostas liberais enfatizavam a escolarização como instrumento de moralização e produção de cidadãos letrados. Periódicos Uniateneu

Positivismo: cientificismo, ordem e republicanismo

A partir da segunda metade do século XIX e com maior intensidade após a Proclamação da República, o positivismo (inspirado em Auguste Comte) passou a incidir sobre a escola: valorização do método científico, da disciplina e de uma educação orientada para a “ordem e o progresso”. Figuras e leituras positivistas influenciaram reformas e o ideário republicano, conectando educação pública, planejamento e modelo laico de formação. Esse eixo contribuiu para a crescente separação entre Igreja e Estado nas questões escolares.

Principais reformas e transformações institucionais

Saviani discute as leis e decretos que marcaram o período: a Lei das Escolas de Primeiras Letras (1827), a Reforma Couto Ferraz (Decreto 1331-A/1854), a Reforma Leôncio de Carvalho (Decreto 7.247/1879) e a reforma educacional de influência positivista/benjaminconstantista (final do século XIX / início do XX). Essas iniciativas representam tentativas estatais de organizar o sistema escolar, criar normal schools, redefinir currículos e estabelecer normas administrativas — ainda que com resultados desiguais e persistente fragilidade estrutural.

Consequências na avaliação de Saviani

Saviani avalia esse período como decisivo para a secularização gradual da educação brasileira e para a formação de uma pedagogia “laica” que se consolidaria ao longo do século XX. Contudo, ele também aponta limitações: muitas reformas foram fragmentadas, a implementação falhou em várias regiões, e as propostas pedagógicas (ecletismo, liberalismo, positivismo) muitas vezes serviram mais aos interesses das elites do que à democratização efetiva do ensino. Em sua leitura, entender essa trajetória é fundamental para compreender as continuidades e rupturas na história educacional nacional.

Referências e leituras recomendadas (para confirmação / aprofundamento)

Saviani, Dermeval — História das ideias pedagógicas no Brasil — Cap. VI (Desenvolvimento das ideias pedagógicas laicas: ecletismo, liberalismo e positivismo, 1827–1932). (Sumário do capítulo disponível em versões online e em cópias do livro). Revisões e resenhas acadêmicas sobre o livro (scielo / RBEDU) — contextualizam a periodização e as principais interpretações de Saviani. Documentos históricos e análises sobre as reformas: Decreto nº 1331-A/1854 (Couto Ferraz), Decreto nº 7.247/1879 (Leôncio de Carvalho) e demais legislação do período.

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